quinta-feira, novembro 22

Procura-se bons papos



Em dias como hoje, o desejo de possuir alguém me vem como água a um sedento no deserto. Têm dias que você nem queria beijo, só abraço, um papo, um trato, um dorme bem. A gente sente falta de uma conversa depois do trabalho, uma atenção extra. Um desejo atendido.
Todos nós passamos por dias de carência excessiva, onde qualquer resposta mal dada, nos tira o brilho dos olhos. Todos passam por dias de cão, de gato, de caça, de caçador. Todo mundo tem altos e baixos. Especialmente nos picos e nos poços mais fundos, os desejos de possuir alguém se acentuam.
Valorizo as pessoas com quem posso conversar. Essas são as mais raras. Dificilmente a gente encontra alguém que o papo casa, que as palavras batem, que as frases se completam e quando eu digo dificilmente, é dificilmente mesmo. É que hoje em dia as pessoas não dão mais tanta importância a um bom dialogo, vez ou outra, a gente esbarra em gente até completa ou vazia, mas falta papo. A gente enrola, protela, mas no fim, não conversa.
Não gosto só da beleza física, procuro sempre algo no olhar, no sorriso, no jeito de falar, na maneira de caminhar. A fascinação que as pessoas têm tá no jeito que elas sorriem enquanto falam. Ou só sorriem, ou só falam. Cada um tem um jeito diferente de encantar.
Acho mesmo, que o melhor de se possuir alguém, é ter aquele alguém com quem conversar. Ligar no meio do dia só para contar que ouviu no rádio aquela música que teve gosto daquele beijo. Ou chegar ao fim do dia, e mandar uma mensagem dizendo que, assim, como quem não quer nada, abraçou o travesseiro e lembrou do cheiro.
Daí a gente dorme. Dorme porque isso ainda se pode. Não de conchinha, mas dorme. Daí a gente sonha. Não com alguém, mas com o desejo de ir além. Daí a gente acorda. Não ouvindo um “bom dia”, mas torcendo pra ser. Daí a gente vive. Não só por viver, mas pra tirar do singular, tudo que a gente sonhou no plural.


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